DOI: 10.5281/zenodo.19711602

 

Mariane Alves Borges

Graduada em Licenciatura Plena em História – Universidade do Estado do Pará

(UEPA).

 

RESUMO

O seguinte artigo busca tratar acerca do momento inicial republicano no Brasil, principalmente no meio intelectual, utilizando o conto ‘Urupês’, de Monteiro Lobato, grande literato do período e participante da então elite dotada do conhecimento à época, para abordar sobre as teorias raciais e como elas podem ser observadas a partir desta obra. Além disso, esta análise objetiva observar também como o tempo ao qual Monteiro Lobato está inserido e os pensamentos presentes em seus espaços de convivência influenciam na escrita do autor e de que maneira seu personagem ‘Jeca Tatu’ é vinculado à ideia de ignorância, preguiça e incapacidade de desenvolver conhecimento ou mesmo entender; visões trazidas do autor principalmente por sua aversão ao seu personagem ‘mestiço/caboclo’. Diante dessas pontuações, este trabalho científico desenvolve o olhar do intelectual desse início da República brasileira e sua produção científica necessária para o desenvolvimento e modernização do país, além de destacar o compartilhamento das mesmas ideias advindas da Europa entre esses intelectuais, as quais reforçaram um caráter elitista e eugenista, baseando-se na manutenção da hierarquia social e racial no contexto brasileiro. Portanto, tal diálogo trata do conto de Monteiro Lobato e das próprias ideias empregadas por ele na obra como reflexo da sociedade desse momento histórico e de como a disseminação dessa visão negativa aos indivíduos que não pertenciam à elite branca do período resultou em consequências cujos efeitos ainda podem ser percebidos na atualidade.

Palavras-chave: Monteiro Lobato. Teorias raciais. Intelectuais do séc. XX. República brasileira.