Mariane Alves
Borges
Graduada em Licenciatura
Plena em História – Universidade do Estado do Pará
(UEPA).
RESUMO
O seguinte artigo busca tratar acerca do momento
inicial republicano no Brasil, principalmente no meio intelectual, utilizando o
conto ‘Urupês’, de Monteiro Lobato, grande literato do período e participante
da então elite dotada do conhecimento à época, para abordar sobre as teorias
raciais e como elas podem ser observadas a partir desta obra. Além disso, esta
análise objetiva observar também como o tempo ao qual Monteiro Lobato está
inserido e os pensamentos presentes em seus espaços de convivência influenciam
na escrita do autor e de que maneira seu personagem ‘Jeca Tatu’ é vinculado à
ideia de ignorância, preguiça e incapacidade de desenvolver conhecimento ou
mesmo entender; visões trazidas do autor principalmente por sua aversão ao seu
personagem ‘mestiço/caboclo’. Diante dessas pontuações, este trabalho
científico desenvolve o olhar do intelectual desse início da República
brasileira e sua produção científica necessária para o desenvolvimento e
modernização do país, além de destacar o compartilhamento das mesmas ideias
advindas da Europa entre esses intelectuais, as quais reforçaram um caráter
elitista e eugenista, baseando-se na manutenção da hierarquia social e racial
no contexto brasileiro. Portanto, tal diálogo trata do conto de Monteiro Lobato
e das próprias ideias empregadas por ele na obra como reflexo da sociedade desse
momento histórico e de como a disseminação dessa visão negativa aos indivíduos
que não pertenciam à elite branca do período resultou em consequências cujos
efeitos ainda podem ser percebidos na atualidade.
Palavras-chave: Monteiro Lobato. Teorias raciais. Intelectuais do séc. XX. República brasileira.

