Maria Nicimara Bentes dos Santos
Mestra em Ciências da Educação pela Universidad de La Integración de Las
Américas.
RESUMO
Este
artigo analisa de que maneira os gêneros digitais são abordados nas aulas de
Língua Portuguesa nos anos finais do Ensino Fundamental, tomando como
referência a realidade educacional do município de Maués, Amazonas. A
investigação parte da constatação de que a expansão das tecnologias digitais
transformou profundamente as práticas sociais de leitura e escrita, exigindo da
escola e dos professores novas competências para integrar tais gêneros ao
processo de ensino-aprendizagem. O estudo fundamenta-se em uma pesquisa
qualitativa descritiva, com aplicação de questionário a professores de Língua
Portuguesa atuantes na rede estadual, buscando compreender tanto a presença dos
gêneros digitais nos livros didáticos quanto a formação docente para trabalhar
essa temática. Os resultados revelam que, embora os livros didáticos contemplem
gêneros como e-mail, blog, postagens em redes sociais e mensagens instantâneas,
a abordagem em sala de aula ainda ocorre de forma limitada, muitas vezes
restrita à teoria ou à reprodução de atividades propostas pelo material
didático. A pesquisa também evidencia que a formação inicial dos docentes pouco
contemplou o estudo dos gêneros digitais, o que gera insegurança e dificuldades
no planejamento de práticas pedagógicas contextualizadas. Além disso, desafios
estruturais, como acesso insuficiente à internet e à infraestrutura
tecnológica, dificultam a efetiva integração desses gêneros ao cotidiano
escolar. Conclui-se que o ensino de gêneros digitais demanda formação
continuada, revisão das práticas pedagógicas e políticas públicas que garantam
condições materiais adequadas, de modo a promover o desenvolvimento de
competências digitais e comunicativas essenciais à formação cidadã dos
estudantes.
Palavras-chave: Gêneros digitais. Ensino Fundamental. Língua Portuguesa.

