DOI: 10.5281/zenodo.18965161

 

Maria Nicimara Bentes dos Santos
Mestra em Ciências da Educação pela Universidad de La Integración de Las Américas.

 

RESUMO

Este artigo analisa de que maneira os gêneros digitais são abordados nas aulas de Língua Portuguesa nos anos finais do Ensino Fundamental, tomando como referência a realidade educacional do município de Maués, Amazonas. A investigação parte da constatação de que a expansão das tecnologias digitais transformou profundamente as práticas sociais de leitura e escrita, exigindo da escola e dos professores novas competências para integrar tais gêneros ao processo de ensino-aprendizagem. O estudo fundamenta-se em uma pesquisa qualitativa descritiva, com aplicação de questionário a professores de Língua Portuguesa atuantes na rede estadual, buscando compreender tanto a presença dos gêneros digitais nos livros didáticos quanto a formação docente para trabalhar essa temática. Os resultados revelam que, embora os livros didáticos contemplem gêneros como e-mail, blog, postagens em redes sociais e mensagens instantâneas, a abordagem em sala de aula ainda ocorre de forma limitada, muitas vezes restrita à teoria ou à reprodução de atividades propostas pelo material didático. A pesquisa também evidencia que a formação inicial dos docentes pouco contemplou o estudo dos gêneros digitais, o que gera insegurança e dificuldades no planejamento de práticas pedagógicas contextualizadas. Além disso, desafios estruturais, como acesso insuficiente à internet e à infraestrutura tecnológica, dificultam a efetiva integração desses gêneros ao cotidiano escolar. Conclui-se que o ensino de gêneros digitais demanda formação continuada, revisão das práticas pedagógicas e políticas públicas que garantam condições materiais adequadas, de modo a promover o desenvolvimento de competências digitais e comunicativas essenciais à formação cidadã dos estudantes.

Palavras-chave: Gêneros digitais. Ensino Fundamental. Língua Portuguesa.